Coach do Coach

Os melhores profissionais e as melhores equipas têm um denominador comum: serem peritos nas competências intra e inter que perfazem as relações interpessoais entre todos os objectivos, as ferramentas e os meios. (Rui Lança)

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O perfil e o desafio de um gestor desportivo

O desporto enquanto temática é tão apetecível quanto subjetivo. E possivelmente atrairá muitos por ser apetecível e trazer com o tema algum mediatismo e poder, e será essa subjetividade que permitirá todos terem opiniões sobre quase tudo o que está relacionado com o desporto.

Alguém disse que em Portugal a grande maioria da população não gosta de desporto (aliás, a percentagem a rondar os 25 % de população que pratica desporto regularmente é sinal disso). As pessoas gostam do seu clube, depois gostam de ganhar e depois gostam da modalidade em si ou de algumas modalidades. Em parte isto é possível comprovar quando nos apercebemos – social e culturalmente isso também é aceite – que é possível observar constantemente pessoas que preferem ganhar mesmo através da batota do que perder justamente.

E é nesta subjetividade e interesse social que as pessoas trabalham quase todas no sistema e mercado desportivo. Com muita emoção, sentimentos de afinidade com vencedores e vencidos, e com a necessidade de englobar diversas competências comportamentais e de gestão, treino, medicina, nutrição, promoção, eventos, etc. E infelizmente muitas vezes é possível observar que tudo encaixa no mesmo «saco». Aqueles que são dirigentes e gestores desportivos em clubes de bairro, com os gestores de instalações desportivas públicas até aos dirigentes e gestores desportivos que estão inseridos em estruturas como empresas, federações e clubes de enormes proporções.

As realidades e necessidades são distintas. E com isto, provavelmente, exigirão desempenhos e respostas diferentes. Mas a base de alguém que trabalha na gestão desportiva deverá (deveria, face à escassez que se observa) ser um equilíbrio entre aquilo que são os valores associados à prática desportiva, as vocações e visões dos locais onde se trabalha mas também a necessidade imperial de «levar» para o desporto as preocupações de potenciar, maximizar e gerir os recursos à volta de cada realidade desportiva. Que pelo conhecimento que vamos obtendo são quase sempre parcos.

Não é difícil perceber que a taxa de penetração de pessoas no mercado com intuitos e competências de gestão e desporto é inferior comparativamente com aquilo que os clubes, federações ou empresas precisam. E talvez o maior desafio ou adversário é perceber que estas estruturas consideram que não precisam.

E é possivelmente por isso que contactando com treinadores, pais, atletas, professores, utentes, clientes e parceiros, percebemos que o desporto é demasiado valioso para ser entregue a quem não percebe que o desporto é para ser vivido, usufruído e valorizado. E não ser – talvez pelo mediatismo que proporciona – ser utilizado para usufruto próprio. E infelizmente, esta realidade é bem pior quando os recursos financeiros são disponibilizados pela população.

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