Coach do Coach

Os melhores profissionais e as melhores equipas têm um denominador comum: serem peritos nas competências intra e inter que perfazem as relações interpessoais entre todos os objectivos, as ferramentas e os meios. (Rui Lança)

terça-feira, 18 de outubro de 2016

O erro na formação de formadores

O artigo semanal no MaisFutebol! Aqui vai:

http://www.maisfutebol.iol.pt/opiniao/rui-lanca/o-erro-na-formacao-de-formadores

"Os últimos anos foram passados a contribuir para a formação dos treinadores. Quer em processos de coaching quer no âmbito da formação dos treinadores - até por causa da renovação do título de treinadores -, tenho tido o privilégio de estar regularmente com treinadores com diferentes graus de formação e de distintas modalidades individuais e coletivas.

E se o processo de formação tem sofrido diversas alterações com o intuito de alargar o conjunto de áreas que o treinador deve dominar sem que isso obrigue a ser perito em todas, na minha opinião existe uma área que tem ficado ainda aquém daquilo que devem ser os mínimos para qualquer treinador, seja de grau I ou IV ou de infantis a seniores. É a componente do ser. E do pensar sobre si próprio não apenas enquanto «máquina» que executa ou realiza tarefas.

Um treinador é muito mais do que um depósito de conhecimentos técnicos e táticos da modalidade. E de angariar cada vez mais conhecimentos ou a repetição de hábitos, que umas vezes até não são muitos positivos, mas à falta de indicadores de avaliação, lá se mantém o hábito e a convicção de que a experiência nos leva quase sempre a ser peritos nessa ação.

Um treinador deve conseguir reunir as competências de saber ser, fazer e estar. E não apenas fazer. E é no saber fazer e ser/estar que aparece a capacidade de os treinadores conseguirem agir. Seja numa ação ou na reação. E quando conversamos com os treinadores e tentamos retirar informação sobre o domínio e como é que cada treinador se avalia nas suas ações em termos comportamentais, é que facilmente nos apercebemos de algo: o treinador tem sempre mais dificuldade em se avaliar a si próprio no aspeto comportamental do que na avaliação dos seus conhecimentos sobre a modalidade ou do treino.

O treinador tem na ponta da língua a resposta sobre os seus atletas que são mais motivados, dedicados, líderes, competentes aqui ou ali. E isso significa que existem de modo muito explícito os indicadores de avaliação na mente do treinador para essas competências. O que é necessário trabalhar é perceber a razão por que o treinador tem tanta dificuldade em encontrar indicadores de avaliação para si próprio nas competências comportamentais. No modo como comunica, lidera, motiva, decide, etc.

Este é o campo que deve ser incluído cada vez mais na formação de um treinador. Se os treinadores começam a compreender o impacto e a importância do treino mental no atleta e nas suas equipas, está na altura de o realizarem também para si. Até porque nunca é tarde para reforçar o papel muito importante que o treinador tem no desenvolvimento de competências nos outros. E não falamos apenas de competências técnicas ou do conhecimento da modalidade. Mas sim na motivação, na intervenção, em diversos campos que ajudam o atleta a saber decidir melhor."

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