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Os melhores profissionais e as melhores equipas têm um denominador comum: serem peritos nas competências intra e inter que perfazem as relações interpessoais entre todos os objectivos, as ferramentas e os meios. (Rui Lança)

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Todos os treinadores conseguem ser líderes?

Crónica no MaisFutebol desta semana.

A discussão não é recente mas também vai vivendo de crenças. Várias. Mas felizmente o tempo vai-nos dando cada vez mais episódios para se observar e analisar sobre diversos treinadores que em diferentes etapas da sua carreira vão conseguindo com maior ou menor dificuldade impor as suas ideias. Por outro lado, outros treinadores com inúmeras oportunidades raramente conseguem atingir os resultados que teoricamente os jogadores fariam prever.

Para destacar os que mais vencem, poderíamos colocar nesta lista mais atual nomes como Guardiola, Mourinho ou Ancelotti, sabendo que de fora ficam muitos mais. Mas mesmo estes três também perdem. E quando perdem, todos nós disparamos um conjunto de razões em que tentamos encontrar relação direta entre os resultados e as ações que acontecem em campo. E não lhes falta na grande maioria das vezes recursos para que atinjam quase sempre bons resultados. Do outro lado também existem adversários, é verdade, mas também sabemos que há qualquer coisa mais para lá disso.

E o que é? Colocaria o tema da liderança ao barulho. E como? A verdade é que a alta competição é fria, cruel e está sempre à procura do falhanço para nos fazer lembrar que quem joga e vence são os jogadores. E são os jogadores porque são eles que pela regra podem andar lá dentro a lutar, correr, rematar, defender, etc.

Pode parecer La Palice, mas é mesmo assim. Onde entra então o treinador? Até porque eles possuem muito conhecimento, mas isso hoje em dia é cada vez mais facilmente possível captar em cursos, internet, observando ou copiando. Mas não é isto que faz a diferença!

O que faz a diferença é a capacidade e a habilidade de transferir para os jogadores o conhecimento. Aquilo que o treinador pretende que seja realizado. E ainda mais importante, o como! E aqui entra a liderança, o seu conjunto de ações. Crenças, motivações, perfis comunicacionais e relacionais. É isto que também diferencia os bons e maus momentos das equipas. O treinador maestro é diferente de treinador ditador. Maestro não apenas para gerir e ter à sua disposição um conjunto de talentos, mas para lhes dar mais liberdade, autonomia nuns momentos e controlar e comandar noutros. E Mourinho, Guardiola, Conte, Fernando Santos por exemplo sabem isso melhor do que qualquer um de nós. E também se questionam porque às vezes o seu perfil é o mais adequado para conseguir que os seus jogadores estejam no topo da motivação e foco e por outras vezes não seja suficiente.

Como podemos analisar ou responder a esta questão? Se retirarmos os treinadores em escalões de formação – e mesmo aí a discussão levaria muito tempo para encontrar respostas próximas da unanimidade -, todo o treinador treina para que as suas equipas e atletas vençam. E quando não vencem, mesmo que seja contra adversários teoricamente mais poderosos, fica sempre um sentimento de insatisfação ou desalento.

Percebe-se que os treinadores se auto-titulam de líderes. E também concordaria. Precisando primeiro de questionar qual a definição de liderança que cada um de nós utiliza. Os verbos que agarramos à tarefa de liderar são importantes para nos auto-definirmos como líderes, mas depois de falar com vários treinadores e observar como as equipas reagem, percebe-se que é importante destacar isto: os treinadores mandam e comandam nem que seja à pressão, mas isso na minha opinião já não é liderar!

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