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Os melhores profissionais e as melhores equipas têm um denominador comum: serem peritos nas competências intra e inter que perfazem as relações interpessoais entre todos os objectivos, as ferramentas e os meios. (Rui Lança)

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Será que é mesmo possível ler o futebol (apenas) pelos números?

Somos confrontados a toda a hora, durante todos os dias e mesmo fora da época desportiva, com números e mais números. Estatísticas individuais, coletivas e das competições. Estuda-se quem corre mais, quem passa mais, melhor e para onde, os índices físicos e muito mais.

As equipas técnicas, mesmo de clubes com menores recursos e a participar em competições menos formais, têm à disposição um conjunto enorme de dados. E aqui existem treinadores que tomam mais ou menos decisões a partir dos dados estatísticos que são gerados pelos seus jogadores e/ou fornecidos pelas diversas ferramentas.
Mesmos aqueles que gostam de ver o desporto e o futebol de um modo mais apaixonado também se agarram aos números. A verdade é que todos nos agarramos. Quem marca mais. Quem defende mais. Em termos coletivos, tudo serve para comparar e hierarquizar uma equipa à frente da outra. E se os treinadores assumem explicitamente que tomam decisões de acordo com os sentimentos, experiência, o tal feeling, também gostam de diminuir esse erro subjetivo da análise de uma situação através da intuição ou dedução com o recurso aos dados estatísticos.

A questão é saber, se é que podemos ter uma resposta quantitativa, qual o peso dos números no futebol hoje durante a gestão e o treino de uma equipa?
Quantas decisões tomadas por parte de uma equipa técnica ou do treinador principal surgem considerando os dados que lhes são fornecidos na hora ou durante a preparação de um jogo?

A tomada de decisão é semelhante com ou sem dados estatísticos
Estudos sobre a tomada de decisão do ser humano indicam-nos que o processo é muito semelhante antes e após receber informação relevante. Talvez porque a emoção se sobreponha muito à razão nestas questões, ou porque os técnicos dão muito valor às crenças e sentimentos na hora de uma decisão e aí estas levem a melhor sobre os  dados estatísticos.

A utilização de números e estatísticas requer, até mais do que bons números, duas necessidades: estar predisposto para receber e utilizar dados quantitativos; e saber ler esses mesmos dados.

Aqui enquadra-se outra matéria muito interessante: não olhamos todos para os mesmos lances do mesmo modo, tal como não observamos os dados e retiramos todos as mesmas conclusões. Então em que ficamos? A inclusão de estatísticas no futebol, tal como são utilizadas de modo intensivo nos desportos americanos a tal ponto de terem surgido situações como as que geraram o livro e, posteriormente, o filme Moneyball, uma história verídica de Basebol  será mais tarde ou mais cedo uma realidade com impacto no dia-a-dia de um treinador.
Mais do que ter milhares de dados é importante ter e saber ler aqueles que nos podem interessar.»
Não nos parece que as estatísticas e dados quantitativos sejam suficientes para tomar boas decisões. Nem no futebol nem em muitos outros campos. São um instrumento relevante? Sim, mas mais do que ter à nossa disposição milhares de dados, é mais importante ter e saber ler aqueles que nos podem interessar para as decisões que temos de tomar.

José Mourinho, Pep Guardiola, Rui Vitória, Jorge Jesus, Claudio Ranieri... Acredito que todos eles recebam de um modo filtrado um conjunto de informações que geradas após a utilização de dados quantitativos.

Também acredito que às vezes informem alguns destes treinadores que o jogador X está com melhores resultados em determinados indicadores importantes que o jogador Y, e que os mesmos, paradoxalmente, continuem a optar pelo que apresenta piores índices. Porquê? Só a cabeça de um técnico pode ter a resposta, embora possamos especular, com algum grau de certeza, que ainda há muita informação num jogador, equipa e treinador longe de ser captada por estatísticas.

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